segunda-feira, 8 de junho de 2015

8 de junho é o dia do boto-cinza em Fortaleza


O boto-cinza (Sotalia guianensis) é um golfinho pequeno, que mede cerca de 2m, de coloração acinzentada clara ou escura que habita águas quentes da Nicarágua, na América Central, ao litoral de Santa Catarina, no sul do Brasil. Normalmente a espécie é encontrada em regiões costeiras, em áreas estuarinas, baías e enseadas. Muitos cearenses antigos já tiveram o prazer de avistar, de embarcações ou dos espigões da beira-mar, esses animais saltando no oceano. Mas o quadro não é tão positiva para a espécie no Brasil e no estado do Ceará.

A última lista nacional de espécies ameaçadas aponta o boto-cinza como vulnerável. No Ceará, essa espécie é a que mais sofre com encalhes. Em Fortaleza, uma população de apenas 41 animais ainda resiste na enseada do Mucuripe. Hoje, já não são mais tão frequentes as avistagens desse mamíferos que embelezam o mar da cidade.


O boto-cinza sofre bastante com a ação humana. Fatores como a poluição e contaminação de esgotos; ruídos intensos causados por dragagens, construções de píers e movimentação de embarcações; perda de habitat natural devido à criação de aterros e espigões e frequentes capturas acidentais em redes de pesca são impactos de difícil reversão e extremamente prejudiciais para a espécie. Dos animais que habitam o Mucuripe, muitos já apresentam doenças por causa da péssima qualidade da água; monitoramentos encontram com extrema frequência animais mortos devido ao emalhe em redes de pesca. Biólogos afirmam que a situação do boto-cinza no estado é crítica e necessita de cuidados urgentes.

No Ceará, a Aquasis se dedica também à conservação dessa espécie. O Projeto Manatí realiza monitoramentos de praia e pesquisas para o levantamento de dados sobre a espécie, como causas de mortalidade, alimentação, distribuição, estatísticas de encalhes e regiões críticas, que possibilitam a criação de políticas de conservação desse animal; equipes de resgate ficam a postos para a possibilidade de prestar atendimento veterinário para animais encalhados com vida; e, ainda, campanhas de educação ambiental e conscientização são realizadas com as comunidades costeiras.













Como parte desses trabalhos, a Aquasis desenvolveu uma proposta de lei (aprovada pela câmara em 13 de dezembro de 2012) que garantiu que o boto-cinza fosse declarado como Patrimônio Natural do Município de Fortaleza, instituindo o dia 8 de junho (dia dos oceanos) como o dia do boto-cinza em Fortaleza.

A intenção é inceitivar a valorização, o carinho e os cuidados do poder público e da sociedade com a população de botos que vive na enseada do Mucuripe, que além de atrativo natural para a cidade, é de extrema importância para a manutenção do equilíbrio ecológico, garantindo os recursos da pesca dos quais dependem tantos fortalezenses. Mas, infelizemente, ainda são poucas as pessoas que andam comemorando o dia do boto-cinza.











O Projeto Manatí é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental. Você também pode ajudar a salvar o peixe-boi, seja um doador! 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Divulgado Edital para seleção de estagiários para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos da Aquasis
























Se você quer aprender mais sobre com mamíferos marinhos, nós temos lugar para você.


Estamos selecionando novos voluntários para atuar no nosso Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos no período de 2015.2! As vagas estão disponíveis para o período de junho a dezembro de 2015, com duração mínima de dois meses, para recém-graduados e estudantes dos cursos de Biologia, Medicina Veterinária, Engenharia de Pesca, Ciências Ambientais, Oceanografia e áreas afins.


Os interessados devem entrar em contato para mais informações com a nossa coordenação de estágio e voluntariado através do email katherine@aquasis.org com o assunto: SELEÇÃO VOLUNTARIADO.


**************************************ATUALIZAÇÃO*************************************************


As vagas para os períodos de junho e julho já estão preenchidas. No momento, o período disponível é entre agosto e e dezembro de 2015.













Boa sorte à todos!









     

sexta-feira, 6 de março de 2015

Mais um filhote é trazido para o nosso Centro de Reabilitação. Já são oito animais em tratamento

O novo filhote a caminho do Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos da Aquasis (CRMM) 

Ontem, dia 6 de março, recebemos mais uma má notícia. Outro filhote recém-nascido de peixe-boi encalhou na orla cearense. A cerca de quinze dias atrás, resgatamos uma fêma também recém-nascida (que foi batizada de Mani, por sinal). Dessa vez um pequeno macho foi encontrado na praia de Ariós, no município de Beberibe. A boa notícia é que o animal ainda estava vivo.

Ao chegar no local onde a comunidade estava mantendo o filhote protegido, encontramos um pequeno e aparentemente saudável animal, apesar da desidratação intensa natural de uma situação de encalhe. Mais uma boa notícia, felizmente. 

A equipe de resgate foi imediatamente para o Centro de Reabilitação com o nosso novo hóspede/paciente, onde os veterinários confirmaram o quadro de saúde positivo para um animal encalhado. Aparentemente, salvamos um pequeno resistente.

Primeiro manejo do novo filhote, momento em que o animal é retirado do tanque para exames de rotina.
Esse já é o oitavo filhote em tratamento pela equipe do Projeto Manatí. Nos últimos seis meses, já foram encontrados sete outros filhotes de peixe-boi encalhados. Um estava morto e outro foi reintroduzido no local junto a um grupo de peixes-bois adultos. Este último pode ter encalhado novamente e ser um dos filhotes resgatados (o Mirim). Exames de DNA estão sendo realizados para confirmação. Esperamos muito que não e que o filhote devolvido esteja saudável e seguro em seu ambiente natural.

Nós possuímos uma capacidade de tratamento ideal de nove animais simultaneamente e uma capacidade física máxima de doze animais mantidos em nossos tanques. Essa quantidade de encalhes começa a preocupar os nossos biólogos. Os animais exigem uma grande quantidade de alimentação à base de uma fórmula de leite sem lactose e manteiga, verduras e medicamentos e trabalho intenso 24h da nossa equipe de tratadores e veterinários.

O motivo de tantos encalhes, você já deve saber: a destruição do habitat de reprodução e cuidado parental da espécie. Traduzindo: a fêmea não consegue achar um lugar seguro para dar a luz e cuidar do seu filhotinho. 

Obrigada a dar a luz em mar aberto, ela acaba perdendo o filhote, que não consegue nadar em um ambiente com fortes correntes e marés, e o pequeno acaba encalhando.

E quem destrói esse ambientes? Você também já sabe: nós humanos.

Os gêmeos Tico e Teco, encontrados encalhados em outubro de 2014



Fazendas de camarão e salinas destroem rapidamente as áreas de mangue e estuários de rios. O resultado, entre outros impactos para outras espécies, é essa quantidade absurda de filhotes encalhados.

Do jeito que a situação anda, é bem provável que você possa se deparar com um filhote encalhado. Se isso acontecer, antes de qualquer coisa, ligue para o nosso número de resgate 24h:

(85)9800-0109 (anote no seu celular!)

Depois, você pode tentar prestar os primeiros socorros e aumentar muito as chances de sobrevivência do animal. Quer aprender? Acesse esse link e baixe a nossa cartilha de primeiros socorros e entenda um pouco mais sobre os encalhes de animais e como proceder nessas situações


Informe-se e eduque os seus amigos. Contamos com vocês!  

O Projeto Manatí é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental. Você também pode ajudar a salvar o peixe-boi, seja um doador! 


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Recebemos mais um filhote no nosso Centro de Reabilitação



Na última sexta, dia 20, realizamos o resgate de mais um filhote de peixe-boi. Uma pequena fêmea recém-nascida foi encontrada por uma moradora do município de Icapuí que imediatamente acionou a equipe de resgate do Projeto Manatí. Além dos nossos biólogos e veterinários, uma equipe do projeto Cetáceos da Costa Branca também seguiu para a praia de Manibú para auxiliar no resgate e tratamento do animal.

O filhote aprensentava estado de saúde estável, apesar das horas encalhado, mas, infelizmente, havia sido ferido no focinho por cães que o encontraram na praia antes dos moradores. Após serem prestados os primeiros socorros no local, a pequena fêmea foi levada para o nosso Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos localizado na Colônia Ecológica do SESC, em Iparana. Após todos os exames dos nossos veterinários, ela foi colocada temporariamente em uma pequena piscina de emergência enquanto os outros filhotes, os irmãos Tico e Teco, são transferidos para um novo tanque.

Apesar de bastante desajeitada, a pequena recém-nascida já aprendeu a nadar e a respirar sem ajuda.







Esse já o sétimo filhote que recebemos Centro de Reabilitação da Aquasis. Os encalhes de recém-nascidos são uma séria ameaça à espécie, que corre perigo de extinção da costa brasileira. A destruição dos manguezais e estuários impede que a fêmea grávida encontre um ambiente ideal para dar a luz e para o cuidado parental. Dessa forma, os filhotes acabam nascendo em mar aberto. A consequência são encalhes como esse e muitos dos outros peixes-bois que se encontram sob nossos cuidados.

Assita ao vídeo e veja a nossa nova paciente ainda aprendendo a nadar e a respirar sozinha. 




O Projeto Manatí é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental. Você também pode ajudar a salvar o peixe-boi, seja um doador! 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O nosso Centro de Reabilitação recebeu dois novos filhotes!

O novo filhote recém resgatado é levado para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos da Aquasis 





Os últimos trinta dias foram intensos para a equipe do Projeto Manatí. Três filhotes de peixe-boi (Trichechus manatus) foram trazidos para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos da Aquasis.

Infelizmente o último atendimento foi um pequeno recém-nascido de cerca de 15 dias trazido morto. Os exames indicaram que a causa da morte foram lesões causadas pro um provável atropelamento por embarcação motorizada. Outros dois filhotes foram trazidos em estado grave de saúde, mas já apresentam melhoras graças aos cuidados da nossa equipe de veterinários e tratadores.

O primeiro, já batizado de Mirim (que significa 'pequeno' em Tupi) foi trazido no dia 28 de dezembro após ser encontrado encalhado sobre um banco de ostra nas margens do rio Jaguaribe.

No dia 25 de janeiro, em Melancias de Baixo, Icapuí, foi resgatado um filhote fêmea que foi identificado através de uma marca como o mesmo animal encontrado dez dias antes pelo Projeto Cetáceos da Costa Branca em Morro Pintado. Na ocasião do primeiro encalhe, ao filhote foi reintroduzido no mar junto a três adultos que se encontravam na região. Para nossa tristeza e dos nossos colegas da UERN, ele voltou a encalhar e, devido ao seu estado de saúde, foi levado para o Centro de Reabilitação. O nome da pequena ainda está sendo motivo de discussão.

Só no último ano e em janeiro desse ano, pelo menos 5 filhotes foram resgatados pelo projeto. Acreditamos que o Mirim possa ser o mesmo animal que resgatamos e devolvemos ao mar junto a um grupo de adultos em dezembro, na praia de Retirinho, Aracati. Infelizmente, dois desses filhotes foram encontrados mortos. Felizmente, todos os nossos pacientes estão vivos e cheios de saúde.

Agora, com seis filhotes em reabilitação, a nossa equipe está com as mãos mais cheias que nunca. Ainda bem que podemos contar com a motivação de muita gente dedicada.



O Projeto Manatí é patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental. Você também pode ajudar a salvar o peixe-boi, seja um doador! 



















quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Feliz Aniversário, Maceió!

Equipe do Projeto Manatí e os nossos voluntários comemorando o aniversário do Maceió durante o manejo.


Hoje saímos da rotina dos exames habituais dos animais para comememorar o aniversário de um ano de resgate do Maceió, o segundo filhote trazido para o novo Centro de Reabilitação da Aquasis. 

O Maceió foi encontrado ainda recém-nascido encalhado na Praia de Pontal do Maceió, no município de Fortim (a mesma praia em que foram encontrados os gêmeos). A equipe de resgate do Projeto Manati, patrocinado pela Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental ,recebeu o alerta e resgatou o pequeno animal, que foi trazido para o Centro de Reabilitação de Mamíferos Marinhos, localizado na colônia ecológica do SESC em Iparana.

Depois de um ano no centro, o pequeno filhote trazido pela equipe já possui 1,91 metro de comprimento e pesa 150 quilos! Cheio de saúde, Maceió já está em processo de desmame, deixando gradativamente a fórmula especial de leite sem lactose (apenas 4 litros por dia!) e começando a comer vegetais, como alface, couve e acelga.

Parabéns para o nosso filhote e para a nossa equipe que mantém o Maceió e todos os outros filhotes sempre saudáveis. Daqui a pouco vamos ver esse rapaz de volta ao seu ambiente natural.


sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Descanse em paz, Fontinho

Fontinho, recém-nascido e recém trazido para reabilitação na Aquasis após ser resgatado na Praia das Fontes. 

O processo de reabilitação de um filhote de peixe-boi marinho leva anos. Anos de trabalho, de esforços, de recursos, de pesquisas, de estudos, de vontade e carinho. Profissionais dedicam a vida a salvar uma vida e, comprometidos com a espécie, se esforçam para devolvê-la renovada ao seu ambiente natural. Uma vida vale milhões. No caso da população brasileira de peixes-bois marinhos, essa é uma máxima literal. Com um número de difícil estimativa, opiniões otimistas apontam para uma população de cerca de quinhtentos indivíduos no país inteiro. 

Então, um só é bastante.

Nada traz mais felicidade e orgulho para qualquer equipe envolvida no trabalho de conservação dessa espécie do que devolver com vida à natureza um animal que por pouco encontraria a morte e por pouco pode encontrar a extinção do país. Traz tanta ou mais felicidade e orgulho ver esses animais voltando com vida ao mar do que resgatá-los quase mortos em terra. A sensação de dever cumprido é indescritível.  

E olha que resgatá-los é muito, mas muito, gratificante. Faz muita gente abrir mão de família, dinheiro, sucesso, férias e feriados, tranquilidade e conforto para estar sempre pronto para ajudar.

Hoje, descobrimos que, de maneira proporcional, nada traz mais tristeza do que ver essa mesma vida se perder depois de tanta luta e sorte. Especialmente quando a causa da morte é a mesma que a trouxe encalhada até nós: o puro egoísmo humano, uma das características únicas da nossa espécie.

Descobrimos isso com a morte do Fontinho, resgatado ainda filhote na Praia das Fontes e tratado pela Aquasis, enviado para reabilitação no Centro Mamíferos Aquáticos (CMA/ICMBio). Fontinho tinha seis anos de idade e foi acompanhado por profissionais desde o dia de seu resgate até a sua nova vida livre na natureza. Fontinho poderia ter vivido por décadas. Poderia ter procriado. Poderia ter cumprido a sua parte na sobrevivência de sua espécie. Mas agora seis anos de esforços pelo bem do animal e da própria existência destes foram por água abaixo. A pequena população de peixes-bois foi reduzida em um. 

E um realmente é bastante.

Não conseguimos imaginar o motivo que levaria alguém a alvejar um animal inofensivo dentro de uma área protegida. Matar um animal pelo simples ato cruel de matar já é um absurdo, mas queremos acreditar que, se essa pessoa soubesse o quanto esse animal representava, da importância e do esforço para salvar a sua espécie, ela teria pensado uma segunda vez. 

A desinformação destruiu, como é desesperadoramente comum, mais um trabalho bonito e árduo que visava apenas o bem da sociedade e da natureza. 

Esperamos que o Fontinho esteja descansando em paz. E vamos continuar trabalhando mais e mais para compensar cada falta cometida pela nossa espécie. 







A equipe da Aquasis